Passa Três - Distrito de Rio Claro RJ

Igreja de Nossa Senhora da Conceição
Passa Três, pertenceu até 1938 ao município de São João Marcos, que foi despovoado e demolido em 1940 para a formação de uma represa para a produção de energia elétrica. Após a extinção do município de São João Marcos, todos os seus distritos passaram a fazer parte de Rio Claro. O tráfego comercial em Passa Três era intenso, muitas eram as estradas que atravessavam a localidade partindo de Angra dos Reis, Rio Claro, Mangaratiba, São João Marcos, Alto da Serra e de Arrozal. A Estrada de Ferro Pirahyense, que contribuía para o transporte do café e de outros gêneros, chega ao distrito em 1883, e em 8 de julho do mesmo ano foi inaugurada a Estação Ferroviária de Passa Três, hoje extinta. No centro urbano do distrito se encontra a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída no século XIX, e também alguns casarões remanescentes. Há poucos quilômetros do centro, localiza-se duas edificações construídas pelo Comendador Joaquim José de Souza Breves, a Fazenda da Grama, que foi sede da administração de suas inúmeras outras fazendas, e a Capela de São Joaquim da Grama, erguida em 1809.

O Capitão Mata-gente

Antônio Gonçalves de Moraes, Comendador da Imperial Ordem de Cristo e oficial da Imperial Ordem da Rosa, era o filho mais velho dos Barões de Piraí, José Gonçalves de Morais e Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Sousa Breves. Foi um grande benfeitor das cidades de Ipiapas, Barra do Piraí e Dorândia, com doação de terras e dinheiro para a construção da Santa Casa de Misericórdia, de embarcações, igrejas e outros melhoramentos. Mas ficou conhecido por "Capitão Mata-gente", porque vinte escravos de sua fazenda Salto Pequeno, mataram um feitor malvado por simples vingança. Se os escravos fossem presos, iriam para a forca, por assassinato. Para não perdê-los o Comendador mandou que se atirasse o corpo do feitor num açude da fazenda, com uma pedra amarrada ao pescoço. Entretanto, a polícia foi avisada, e ao tomar ciência de tal acontecimento, dirigiu-se à fazenda do Salto Pequeno, no município de Passa Três. O Comendador e seus homens trocaram o corpo de lugar, enterrando-o numa baía de cal virgem. Quando a polícia chegou, não encontraram o corpo do feitor, mas, o Comendador não escapou do processo judicial que lhe moveram. Livrou-se da cadeia, dando sessenta conto de réis ao Juiz de Valença, mas ficou com o apelido de "Mata-gente", e com a fama de que pagava as suas contas aos caixeiros viajantes, mas depois agarrava-os na estrada para esvaziar-lhes os bolsos. Os que resistiam eram mortos e atirados ao fundo do açude. Em sua fazenda São João da Prosperidade no caminho de Ipiabas podemos encontrar um alçapão no piso de uma das salas. Dizem os antigos que em baixo passava um córrego e servia para desaparecer com os fiscais do governo mais reticentes.
Fazenda São João da Prosperidade - Barra do Piraí RJ

Mendes RJ

Igreja Matriz de Santa Cruz, construída em 1857.
A cidade de Mendes tem origem em um simples rancho para pouso de tropas, erguido às margens do “Caminho Novo do Tinguá”, num atalho que ligava a aldeia de Valença com a cidade do Rio de Janeiro. O pequeno aglomerado, de temperatura agradável e solo fértil, começou lentamente a se desenvolver graças à constante circulação de tropeiros. A ocupação das terras teve início com a Fazenda Santa Cruz, de propriedade do Barão de Santa Cruz, transferida para a família Mendes. A fazenda cresceu e, por volta de 1850, passou a ser conhecida por Santa Cruz dos Mendes. A partir daí, desenvolveu-se na região o cultivo do café. O grande crescimento da lavoura cafeeira provocou a vinda da ferrovia para a região. Em 1889, lá se instalou a companhia de papel Itacolomy, iniciando a fase industrial do município, onde depois surgiriam outras fábricas. No entanto, é com a inauguração da iluminação elétrica, ocorrida em 1912, que o município demonstra um potencial para o desenvolvimento. Desta forma, a região vivenciou duas fases distintas de desenvolvimento: a primeira ligada ao cultivo do café, e a segunda com a implantação das indústrias. Mendes já foi parte de Piraí, Vassouras e Barra do Piraí, mas conseguiu emancipação em 1952, e foi definitivamente instalado em 11 de janeiro de 1953.
Estação Ferroviária - Inaugurada em 1911, foi toda construída em pinho de riga.

Ponte Getúlio Vargas - Barra do Piraí RJ

A ponte mista (ferroviária e de rodagem), foi construída na Bélgica e montada em 1898, sobre o rio Paraíba do Sul. Localizada no centro da cidade, a ponte faz a ligação do bairro de Santana ao Centro, e atualmente serve apenas para automóveis e pedestres.

Foto antiga: Marc Ferrez

Fazenda Resgate - Bananal SP

Em 1776, um local denominado “o Resgate” deu origem ao que anos mais tarde seria a fazenda do Resgate. “Resgate” tornou-se uma fazenda em 1828, quando adquirida pelo brigadeiro Ignácio Gabriel Monteiro de Barros, filho do visconde de Congonhas do Campo, casado com a bananalense Alda Romana de Oliveira Arruda; nesta época, a propriedade produzia toucinho, milho, feijão, farinha e café. Em 1833, a fazenda foi comprada pelo senhor José de Aguiar Toledo, que chega a Bananal no início do século XIX, trazendo consigo, de Minas Gerais, a solução arquitetônica implantada na fazenda e o pioneirismo no plantio do café em larga escala na região. Em 1838, por ocasião do falecimento de José de Aguiar Toledo, a fazenda Resgate e suas demais propriedades são deixadas como herança para seus oito filhos. Em pouco tempo, Manoel de Aguiar Valim, um dos oito irmãos, compra todas as partes da fazenda Resgate e estabelece moradia na propriedade e, em 1855, resolve fazer uma reforma na casa. Agora, a casa baseada no estilo senhorial português (com apenas um pavimento) é adaptada à solução mineira de produção de café da primeira metade do século XIX (já com dois pavimentos, porém sem nenhum requinte), ganha uma facha neoclássica com uma escada central em cantaria. Os materiais de construção empregados na reforma também diferem daqueles utilizados em sua construção: o primeiro pavimento é feito em pedra e pau-a-pique e o segundo com tijolos de adobe. Contudo, apesar da fachada em estilo neoclássico, os fundos da casa estão pousados ao “rés do chão”, em uma planta em formato de “U” com três mansardas: duas laterais e uma voltada para o pátio interno, característico do partido mineiro. A reforma também abarca o pátio interno, que recebe nova feição. A sala de jantar é colocada junto a ele para fins de arejamento e iluminação, como se fazia nas residências burguesas na França, idealizando uma nova disposição do espaço. Esta é uma mudança fundamental nos parâmetros de moradia do Brasil oitocentista. Desta forma, o Resgate transforma-se em um monumento/documento completamente preservado da história do Brasil. A partir de 1858, o pintor espanhol José Maria Villaronga começa a pintar o segundo pavimento do casarão. No hall de entrada encontram-se retratados os produtos agrícolas da fazenda: em posição principal o café, circundando-o, a cana, o milho, o feijão e a mandioca. Na sala de visitas, em estilo barroco, pássaros brasileiros e detalhes em madeira coberta com folhas de ouro. Na sala de jantar, três afrescos: em posição central, a riqueza do proprietário, ladeando esta pintura, mais dois afrescos que representam a colônia chinesa de Bananal. A capela também se destaca por suas pinturas e detalhes em madeira com folhas de ouro. No mezanino, afrescos com várias representações de Nossa Senhora. No primeiro pavimento, além do altar em estilo barroco e das diversas pinturas, um grande afresco retratando o batismo de Jesus é peça central deste espaço. A Fazenda Resgate, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, é considerada uma das cem mais belas e importantes edificações da história do Brasil.
Dias e horários de visitação: de Terça à Sexta-Feira, de 8:00 às 16:00hs
Sábados, domingos e feriados, somente com autorização.
Fazenda Resgate - Tel.: (12) 3116-1577
http://www.fazendaresgate.com.br/

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição - Vassouras RJ

A construção da capela teve seu início em 1828. Em 1829 foi concluída a Capela Mor e ao seu redor juntam-se os primeiros moradores do povoado, que em 1933 foi elevado a categoria de Vila. A Capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição sofreu várias modificações no ano de 1838, graças a determinação do Governo da Província que mandou construir o corpo da igreja, as duas torres, consistórios e a sacristia. As obras se estenderam até 1853. O gradil de ferro, cercando a Matriz, foi colocado em 1871, em estilo neoclássico. O painel contornando o nicho da padroeira é uma obra de Antônio de Oliveira e foi colocado nas primeiras décadas do século XX. No ano de 1967, por determinações do Concílio Vaticano II, a Matriz sofreu algumas modificações para atender suas diretrizes, acompanhadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, mantendo a caracterização da sesquicentenária igreja, monumento religioso que é referência para a cidade de Vassouras. No ano de 1978, a Fundação Severino Sombra, através de seu Departamento de História, organizou um Simpósio sobre a História do Vale do Paraíba. Foi montado no consistório um Museu Sacro e nele pode ser apreciado um conjunto de imagens, peças valiosas e importante documentação da Matriz. A Igreja Matriz está localizada no alto da colina da praça Barão de Campo Bello, no centro histórico da cidade de Vassouras, constituindo num dos mais belos monumentos históricos do Brasil, que projeta Vassouras no cenário internacional.

Vila Histórica de Mambucaba RJ

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário - Datada de 1863
Em 1550, surgiram os primeiros relatos sobre uma aldeia chamada Mambukabe, mas somente por volta de 1610, chegaram os primeiros colonizadores à região. Logo foi construído uma pequena capela, e um povoado formou-se em torno dela. Terminada a febre do ouro, o café passou a ser a grande fonte de riqueza do Brasil, e Mambucaba também teve seu momento de glória com as lavouras de café. Além de recebê-lo da Província de São Paulo, suas lavouras produziam uma quantidade significativa, tanto que em 1839, a produção foi de 300 toneladas. Porém, o apogeu de Mambucaba aconteceu entre 1850 e 1870. Nesta época, a vila tinha cerca de 3310 habitantes, divididos em 1784 livres e 1526 escravos. Havia teatro, armazéns de secos e molhados, lojas de fazendas, vendas de artigos variados, e 20 grandes propriedades, divididas entre fazendas de café e engenhos de açúcar. O porto de Mambucaba tinha um movimento extraordinário, servia para exportar o café da província de São Paulo, mas com a implantação do sistema ferroviário para o escoamento da produção cafeeira, a vila entrou em decadência. Com isso, vários prédios históricos desapareceram. Em 1968, no intuito de preservar o que restou, a vila foi tombada em sua totalidade, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN. Com a abertura da rodovia Rio-Santos no início da década de 1970, o turismo de veraneio se estabeleceu como a principal fonte de desenvolvimento local.

Igrejas Históricas - Resende RJ

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
No ano de 1812 foram lançados os alicerces da Igreja Matriz. A construção foi feita por meio de uma subscrição: uns doavam serviços, outros dinheiro e alguns proprietários, um certo número de escravos para os trabalhos pesados. Em 16 de outubro de 1831, teve lugar a transladação do Santíssimo Sacramento e das imagens da antiga capela para a Nova Matriz. A 22 de agosto de 1945, um incêndio destrói a centenária Matriz. Após duas horas, restam apenas a fachada e a parede lateral externa da ala esquerda. A 21 de agosto de 1954, foi solenemente consagrada a Matriz reconstruida após o incendio. Eram oito horas da manhã. As irmandades e os demais fiéis estavam reunidos na praça Dr. Oiveira Botelho. O bispo, Dom José André Coimbra, acompanhado por sacerdotes e seminaristas, inicia a celebração com orações à porta principal do templo, que se mantém fechada. Ao términio destas, contornam a igreja por tres vezes, aspergindo as paredes e batendo na porta, toda vez que por ali passava. O povo permanece na praça enquanto Dom José Coimbra e demais sacerdotes entram para a cerimonia no interior do templo. Igreja vazia, sem bancos... no chão, uma grande cruz de cinzas... o Bispo escreve aí os alfabetos grego e latino e benze as paredes internas. E permitida, então, a entrada dos fiéis a fim de participar do final da sagração, que consistiu na unção das 12 cruzez, colocadas cada uma ao lado de um altar. A Santa Missa encerrou a sagração. No dia 22 de agosto, pela manhã, Dom José Coimbra celebra, solenemente, a Missa Pontifical.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Construída entre 1825 e 1827, tendo por administrador o Capitão José Gregório Thaumaturgo que dedicou á obra total dedicação, mesmo em detrimento dos seus negócios particulares. A primeira irmandade da igreja do Rosário foi criada por idéia do atuante Manoel Gonçalves Martins “Manoel Carimbo”, instigante personagem da história local. O sino da igreja do Rosário foi doado em 1889 pelo Sr. Antonio José Dias Carneiro “Visconde do Salto”, benemérito também de outras obras sociais da cidade.De certa forma esta igreja era ponto de encontro de fé e resistência sócio-cultural dos negros, realizando celebrações religiosas e festas, notadamente a do Divino Espírito Santo e de São Benedito. Até porque São Benedito – Padroeiro dos Cativos – ocupava na Igreja um dos altares centrais e era muito venerado.Era comum nestas festas os fazendeiros liberarem grande parte dos escravos para eles participarem dos encontros. Nestas ocasiões o Yorubá, língua da pátria deles era quase tão falado quanto o português.
Igreja Senhor dos Passos
Situada no Alto dos Passos, a construção data de 1827, fruto de esmolas recolhidas do povo. Destaque para a imagem do Senhor dos Passos, considerada uma das mais perfeita dentre as existentes.

O caso de Bracuhy

O tráfico de escravos africanos para o Brasil havia sido proibido, pela primeira vez, em novembro de 1831. Entretanto, a lei não foi cumprida com eficiência e a escravização de africanos prosseguiu com grande intensidade, apesar da pressão da Inglaterra para sua interrupção desde 1807, quando abolira o comércio de escravos em suas colônias. Desde o século XVII ocorriam desembarques de escravos nos portos da costa verde, de Sepetiba até Paraty. Até 1759, eram promovidos pelos padres jesuítas, que assim obtinham braços escravos para seus engenhos de cana. Esses desembarques intensificaram-se no princípio do século XIX, promovidos principalmente pelos fazendeiros de café do Vale do Paraíba, que, de princípio, ignoraram os termos da Lei 581, imaginando-a mais uma legislação ditada “para inglês ver”. Normalmente essas arribadas ocorriam nos portos de Mangaratiba e Sepetiba, mas com a proibição, toda costa aportável e deserta passou a ser utilizada. Em 11 de dezembro de 1852 houve um desembarque de africanos no porto do Bracuhy, freguesia da Ribeira, próximo à cidade de Angra dos Reis. Narra o delegado que, ao aportar o barco americano “Camargo”, muitas canoas haviam se aproximado e os africanos desembarcaram em terras da Fazenda Santa Rita, de propriedade do Comendador Joaquim José de Souza Breves. A polícia prendeu vários traficantes nacionais e estrangeiros, apreendeu parte da carga de 500 africanos vindos de Quelimane e Moçambique, bem como documentação que incriminava muita gente importante, inclusive o Comendador Luciano e o Major Nogueira, figurões de Bananal. As enérgicas medidas tomadas pelo governo imperial logo tiveram efeito e em 16 de janeiro de 1853 foram apreendidos 10 africanos boçais, acompanhados de um escravo ladino, em um rancho aberto, em terras da Fazenda Resgate, em Bananal. Logo depois, a 20 do mesmo mês, outros escravos seriam apreendidos em fazendas da região. O processo aberto posteriormente arrolou como acusados alguns dos homens mais ricos e poderosos do Brasil, dentre eles o Comendador Breves, e o Comendador Manuel de Aguiar Vallin, ambos conhecidos cafeicultores e chefes do Partido Conservador. Também foram indiciados, em fevereiro de 1853, o sogro de Vallin, o Comendador Luciano José de Almeida, o Major Antônio José Nogueira e Pedro Ramos Nogueira, todos grandes fazendeiros de Bananal. Na verdade, Aguiar Vallin não chegou a ser julgado. O processo foi instaurado, as testemunhas foram ouvidas e Vallin ficou detido na cadeia (segundo ele próprio, por livre e espontânea vontade...). Entretanto, antes do julgamento, o Chefe de Polícia de São Paulo, Fernandes Fonseca, aceitou seu recurso e despronunciou-o. No final, todos os envolvidos foram absolvidos, mas o próprio fato de algumas das maiores potestades financeiras da nação terem sido levadas a um tribunal, sendo as testemunhas contra elas quase todos escravos, foi um acontecimento inédito no Brasil. Vale ressaltar que a imprensa em sua totalidade ficou ao lado dos fazendeiros quase que o tempo todo, fazendo alguns jornais campanha por suas solturas; outros periódicos, defendiam os nababos nacionais não contra o ato em si, mas contra o que era considerado um ultraje à dignidade nacional o fato de submeter esses homens a um tribunal que, em última análise, estava obrigando súditos brasileiros a cumprir uma lei ditada pelos ingleses. Seja como for, foi a primeira vez que autoridades de tal porte foram levadas a submeter-se a lei e, se o tráfico de escravos ainda ocorreria ocultamente por mais alguns anos, ele decresceu até desaparecer por completo em virtude da energia empregada pelo governo imperial em extinguí-lo. Em 1859, o Comendador Manuel de Aguiar Vallin solicitou ao governo imperial o título de Barão de Bananal. O Ministro Marquês de Abrantes indeferiu o pedido, em carta de 06 demarço de 1859, alegando a questão negreira do Bracuhy. Nem o poderoso Vallin, nem o riquíssimo Breves e nenhum dos outros importantes envolvidos atingiria a nobreza.
Texto: Prof. Milton Teixeira

Fuga de escravos em Paty do Alferes

No dia 5 de novembro de 1838, cerca de oitenta escravos da fazenda Freguesia (Atual Arcozelo), pertencente a Manuel Francisco Xavier, grande proprietário da rica região cafeicultora de Paty do Alferes, aproveitaram a calada da noite para fugir. Uma fuga que revelou uma concentração e organização entre insurretos. Mas ainda havia mais, pois na madrugada seguinte ei-los na outra fazenda do mesmo proprietário, a Maravilha, juntando também a escravaria deste estabelecimento. Os fugitivos agora eram centenas. Talvez 400. Durante dias seguiram pelas matas em direção a Serra de Santa Catarina (Vale das Videiras). Uma fuga em massa como essa, de qualquer forma, era algo incomum e assustador. No dia 8 de novembro, o juiz de paz de Paty do Alferes informava ao coronel-chefe da Guarda Nacional na região, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck (mais tarde barão de Paty do Alferes), pedindo-lhe providências, em prol “da ordem e do sossego público”. Em 48 horas Lacerda Werneck tinha mobilizado uma força de algumas centenas de homens. E lá se embrenhou ele no mato, atrás dos fugitivos. No dia 11 de novembro, às 5 da tarde nas proximidades da fazenda de Santa Catarina, narra Lacerda Werneck, num de seus memorandos, “sentimos golpes de machado e falar gente”. Tinham localizado um primeiro grupo de escravo. Estes se deram conta da presença dos perseguidores, porém. “Fizeram uma linha”, mobilizaram suas armas, “umas de fogo, outras cortantes”, e gritaram: “Atira caboclo, atira...”. Lacerda Werneck prossegue: “Este insulto foi seguido de uma descarga que matou dois dos nossos e feriu outros dois. Quão caro lhes custou! Vinte e tantos rolaram pelo morro abaixo à nossa primeira descarga, uns mortos e outros gravemente feridos, então se tornou geral o tiroteio, deram covardemente costas, largando parte das armas; foram perseguidos e espingardeados em retirada e em completa debandada...” No dia seguinte, mais fugitivos foram apanhados. Ficaram alguns grupos vagando pela floresta de Santa Catarina, de outros não mais se soube, outros ainda voltaram às fazendas. Foram presos os líderes da rebelião, inclusive Manuel Congo, acusado de ser o “rei” do eventual futuro quilombo, e Mariana Crioula a “rainha”. Causou espanto, no processo, a participação desta Mariana na rebelião, ela que era “uma crioula de estimação de dona Francisca Xavier”, isto é, uma escrava doméstica, considerada das mais dóceis e confiáveis. Lacerda Werneck contou que ela só se entregou “a cacete” e gritava: “Morrer sim, entregar não”. Foram indiciados dezesseis fugitivos no processo. Em janeiro de 1839 deu-se o julgamento. Manuel Congo foi condenado à morte, acusado de ser responsável pelas duas mortes ocorridas entre os perseguidores. Oito réus foram absolvidos. Sete foram condenados a “650 açoites a cada um, dados a cinqüenta por dia, na forma da lei”, além do que deviam andar “três anos com gonzo de ferro ao pescoço”. O susto, para a boa sociedade de Vassouras, município o qual Paty do Alferes fazia parte, tinha passado, mas fora grande. Alarmou a província e ecoou pelo Império. Um destacamento do Exército, com cinqüenta homens, chegou a ser enviado da corte a Vassouras. No comando: o tenente coronel Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias e patrono do Exército brasileiro. O destacamento não precisou atuar, porém. Chegou a 14 de novembro, quando o levante já fora dominado.
Texto: Roberto Pompeu de Toledo - Fonte: Revista Veja

Estação Ferroviária - Bananal SP

Para facilitar o escoamento da produção de café de suas fazendas até os portos do Rio de Janeiro, os fazendeiros da cidade empenharam-se na construção do ramal Bananalense, sem nenhum auxílio do Governo. O trecho ferroviário de 28 kms, ligava o município de Barra Mansa RJ à Bananal SP. O primeiro trecho do ramal, Saudade - Rialto, ficou pronto em 1883, mas logo depois a construção parou, retornando somente em 1887, quando o Comendador José de Aguiar Valim comprou a empresa e deu continuidade a obra. No dia 13 de outubro de 1888, o primeiro trem fez a viagem da estação de Rialto em Barra Mansa RJ, até a estação da fazenda Três Barras em Bananal SP. No dia 24 de dezembro de 1888, os trilhos chegaram à estação ferroviária da cidade, mas sua inauguração se deu no dia 01 de janeiro de 1889. O ramal foi desativado em 01 de junho de 1964. A estação foi doação do Comendador Domingos Moitinho, dono da fazenda Resgate. Importada da Bélgica e trazida para a cidade, onde foi montada, a estação tem cerca de 400m², é toda feita de metal, placas de aço pré-fabricadas, almofadadas, duplas, parafusadas, com dois andares, assoalho de pinho de riga, sala de visitas e outras dependências. A Bélgica chegou a solicitar a volta da estação para transformá-la em museu, mas felizmente isso não aconteceu. A estação conheceu tempos de glória e fortuna, é um exemplo da industrialização aplicada à construção, e por isso esse monumento tem importância nacional e internacional.
Pontos de parada da Estrada de Ferro Bananalense:
A estrada tinha início na estação de Saudade, passava pelas fazendas Santo Antônio e Cafundó e logo chegava no distrito de Rialto; essas 4 paradas eram no município de Barra Mansa RJ. A primeira parada em terras paulistas era na fazenda da Glória, depois passava pela fazenda Rapé (onde existia uma variante para fazenda Resgate); logo após passava pelas fazendas Três Barras, Vargem Grande e fazenda da Barra, antes de chegar em sua parada final; na Estação Ferroviária de Bananal SP.