O Presidente e a dama do Café

Por volta de 1893, a Santana da Cachoeira, importante fazenda cafeeira, localizada no município de Quatis RJ, pertenceu a uma das mais importantes famílias do vale fluminense, os Teixeira Leite. E foi neste período, que o escritor quatiense Hyeróclio Barros relatou um episódio acontecido em um baile que teria se realizado nos dois salões do casarão da fazenda.
"Um jovem advogado e promotor público de Barra Mansa, o Dr. Washington Luiz Pereira de Souza, de temperamento autoritário e sem papas na língua, resolveu interferir junto à orquestra em relação às músicas que estavam sendo executadas. A dona da casa, senhora do coronel José Leite Nogueira, D. Francisca de Paula Carrijo Teixeira Leite, conhecida por D. Chiquinha Leite, de temperamento também autoritário e, por conta dele, temida e respeitada não só em Quatis como na região, foi informada e entendeu que deveria repreender o atrevido promotor que, não gostando da reprimenda, respondeu com rispidez. Imediatamente, D. Chiquinha deu-lhe um bofetão no rosto e sem meias palavras o expulsou da festa. Parece que o aturdido jovem teve de caminhar bastante para chegar à estação de Floriano, onde de trem foi para Barra Mansa. Ato contínuo, o Dr. Washington Luiz, abatido e envergonhado, pediu exoneração do cargo e foi embora para Batatais (SP), onde iniciou e construiu rápida carreira política que o levaria à presidência da República. Dizem que tudo isso aconteceu como consequência do bofetão recebido de uma “dama do café”.

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