A morte do Visconde do Rio Preto

Domingos Custódio Guimarães, o Visconde do Rio Preto, faleceu no dia 7 de setembro de 1868, durante as festividades de inauguração do ramal da Estrada União e Indústria, obra para a qual muito contribuíra. A festa memorável oferecida pelo Visconde na sua Fazenda do Paraízo em Rio das Flores, contou com a presença da Corte, de Conselheiros de estado, senadores, deputados, e a alta sociedade carioca. Devem- se a Eloy de Andrade os pormenores do acontecimento agora relatado.
“O caminho de Porto das Flores até a fazenda estava todo iluminado com lanternas de cores variegadas. Lá, duas grandes bandas de música alternavam na execução das músicas. Rompia a manhã, quando estrugiu o Hino nacional, saudado por girândolas de morteiros. Ao mesmo tempo, ouvia-se o rodar surdo de centenas de carroças, conduzindo da Estrada União e Indústria duas mil arrobas de café. Às dez horas da manhã, serviu-se o almoço. Depois, os convidados espalharam-se, tomando diferentes rumos. Uns penetravam no grande pomar do lado de cima da fazenda; outros, no pequeno, onde sabiam existir as frutas mais saborosas; outros, entretiveram-se com o bilhar ou outros jogos. Às duas da tarde, parou em frente ao palacete um carro elegante, a que estavam atrelados quatro cavalos do Cabo. O Visconde do Rio Preto desceu a grande escada a cujos lados dois negros de bronze, de tamanho natural, sustentavam nas mãos ricos candelabros. Acompanhava-o Mariano Procópio. Em seguida, tomaram o caminho de outra fazenda para visita a cafezais. Às seis horas da tarde, dava-se a apoteose, com o retorno do Visconde e do convidado especial. Quando o carro foi avistado, romperam os dobrados musicais, com vivas ao fazendeiro. Chegando à entrada do solar, caiu das janelas uma chuva de pétalas de rosa. A banda executou o Hino Nacional. Naquele momento, todas as moças da sociedade carioca, os parlamentares e os conselheiros lançavam flores sobre o anfitrião. Muito pálido, desceu do carro, segurando-lhe os braços o Barão do Bom Retiro e o levando ao salão. Abriram-lhe alas os convivas até o sofá onde caiu fulminado por um colapso”.

Um comentário:

Bananal, my history, my city, my life. disse...

Querido Nikson,
Você não dimensiona o que esta postagem representa em minha vida, minha história. Espero que tenha se inspirado com os livros e se apaixone também pelo Vale do Rio Preto. Diante da recente perda do meu pai, me emocionei com sua postagem. Ele saiu de Santa Rita de Jacutinga e construiu uma grande história de vida em Porto das Flores e me contou esta história várias vezes, inspirado em seu grande amigo e parceiro Celso do Paraíso. Mesmo não sendo uma homenagem para minha recente perda, sinto meu pai e o Celso dialogando e interagindo sobre esta história. Muito obrigada, amigo.