Fazenda Resgate - Bananal SP

Em 1776, um local denominado “o Resgate” deu origem ao que anos mais tarde seria a fazenda do Resgate. “Resgate” tornou-se uma fazenda em 1828, quando adquirida pelo brigadeiro Ignácio Gabriel Monteiro de Barros, filho do visconde de Congonhas do Campo, casado com a bananalense Alda Romana de Oliveira Arruda; nesta época, a propriedade produzia toucinho, milho, feijão, farinha e café. Em 1833, a fazenda foi comprada pelo senhor José de Aguiar Toledo, que chega a Bananal no início do século XIX, trazendo consigo, de Minas Gerais, a solução arquitetônica implantada na fazenda e o pioneirismo no plantio do café em larga escala na região. Em 1838, por ocasião do falecimento de José de Aguiar Toledo, a fazenda Resgate e suas demais propriedades são deixadas como herança para seus oito filhos. Em pouco tempo, Manoel de Aguiar Valim, um dos oito irmãos, compra todas as partes da fazenda Resgate e estabelece moradia na propriedade e, em 1855, resolve fazer uma reforma na casa. Agora, a casa baseada no estilo senhorial português (com apenas um pavimento) é adaptada à solução mineira de produção de café da primeira metade do século XIX (já com dois pavimentos, porém sem nenhum requinte), ganha uma facha neoclássica com uma escada central em cantaria. Os materiais de construção empregados na reforma também diferem daqueles utilizados em sua construção: o primeiro pavimento é feito em pedra e pau-a-pique e o segundo com tijolos de adobe. Contudo, apesar da fachada em estilo neoclássico, os fundos da casa estão pousados ao “rés do chão”, em uma planta em formato de “U” com três mansardas: duas laterais e uma voltada para o pátio interno, característico do partido mineiro. A reforma também abarca o pátio interno, que recebe nova feição. A sala de jantar é colocada junto a ele para fins de arejamento e iluminação, como se fazia nas residências burguesas na França, idealizando uma nova disposição do espaço. Esta é uma mudança fundamental nos parâmetros de moradia do Brasil oitocentista. Desta forma, o Resgate transforma-se em um monumento/documento completamente preservado da história do Brasil. A partir de 1858, o pintor espanhol José Maria Villaronga começa a pintar o segundo pavimento do casarão. No hall de entrada encontram-se retratados os produtos agrícolas da fazenda: em posição principal o café, circundando-o, a cana, o milho, o feijão e a mandioca. Na sala de visitas, em estilo barroco, pássaros brasileiros e detalhes em madeira coberta com folhas de ouro. Na sala de jantar, três afrescos: em posição central, a riqueza do proprietário, ladeando esta pintura, mais dois afrescos que representam a colônia chinesa de Bananal. A capela também se destaca por suas pinturas e detalhes em madeira com folhas de ouro. No mezanino, afrescos com várias representações de Nossa Senhora. No primeiro pavimento, além do altar em estilo barroco e das diversas pinturas, um grande afresco retratando o batismo de Jesus é peça central deste espaço. A Fazenda Resgate, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, é considerada uma das cem mais belas e importantes edificações da história do Brasil.
Dias e horários de visitação: de Terça à Sexta-Feira, de 8:00 às 16:00hs
Sábados, domingos e feriados, somente com autorização.
Fazenda Resgate - Tel.: (12) 3116-1577
http://www.fazendaresgate.com.br/

2 comentários:

Prof. Adinalzir disse...

Como são lindas essas fazendas. São pedaços valiosos da História que merecem ser preservados.

Meus parabéns pelo blog!

Historiadora Ludmila Pena Fuzzi disse...

Gostei muito deste blog, sou presidente do Instituto de Pesquisa Histórica Regional (IPHR), e a pouco publiquei um artigo diferenciando os estudos da economia cafeeira do Vale Histórico com Taubaté. Manteremos contatos. Estarei indo a Vassouras dia 2 de setembro.