O Capitão Mata-gente

Antônio Gonçalves de Moraes, Comendador da Imperial Ordem de Cristo e oficial da Imperial Ordem da Rosa, era o filho mais velho dos Barões de Piraí, José Gonçalves de Morais e Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Sousa Breves. Foi um grande benfeitor das cidades de Ipiapas, Barra do Piraí e Dorândia, com doação de terras e dinheiro para a construção da Santa Casa de Misericórdia, de embarcações, igrejas e outros melhoramentos. Mas ficou conhecido por "Capitão Mata-gente", porque vinte escravos de sua fazenda Salto Pequeno, mataram um feitor malvado por simples vingança. Se os escravos fossem presos, iriam para a forca, por assassinato. Para não perdê-los o Comendador mandou que se atirasse o corpo do feitor num açude da fazenda, com uma pedra amarrada ao pescoço. Entretanto, a polícia foi avisada, e ao tomar ciência de tal acontecimento, dirigiu-se à fazenda do Salto Pequeno, no município de Passa Três. O Comendador e seus homens trocaram o corpo de lugar, enterrando-o numa baía de cal virgem. Quando a polícia chegou, não encontraram o corpo do feitor, mas, o Comendador não escapou do processo judicial que lhe moveram. Livrou-se da cadeia, dando sessenta conto de réis ao Juiz de Valença, mas ficou com o apelido de "Mata-gente", e com a fama de que pagava as suas contas aos caixeiros viajantes, mas depois agarrava-os na estrada para esvaziar-lhes os bolsos. Os que resistiam eram mortos e atirados ao fundo do açude. Em sua fazenda São João da Prosperidade no caminho de Ipiabas podemos encontrar um alçapão no piso de uma das salas. Dizem os antigos que em baixo passava um córrego e servia para desaparecer com os fiscais do governo mais reticentes.
Fazenda São João da Prosperidade - Barra do Piraí RJ

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