Maria Benedita Gonçalves Martins - "Rainha do Café"

Maria Benedita, nasceu em Resende em 1809, filha do tropeiro e depois cafeicultor comendador Manoel Gonçalves Martins, com a índia Puri Ana Maria Tereza de Jesus. Casou-se com Joaquim José Martins, grande proprietário de fazendas na região, com quem teve nove filhos. Maria Benedita, herdou tanto a fortuna do pai, quanto a fortuna de seu marido, com quem se casou aos 15 anos. Assim se viu, ainda em idade de mulher ativa, proprietária de diversas fazendas, entre elas: a fazenda da Babilônia, “da Serra”, “da Cachoeira”, “do Tanque”, “do Penedo” e a chamada “Fazenda Velha”. Maria Benedita, foi responsável por ações bem diferentes daquelas conduzidas por mulheres de sua época, foi sua a iniciativa da campanha de vacinação em massa, pois havendo o risco de uma série de epidemias como a varíola de 1876, ela providenciou o treinamento devacinadores, bem como a aquisição das vacinas. Colaborou também com doações financeiras e materiais para a construção e manutenção da Santa Casa de Misericórdia de Resende, fundada em 1835. Segundo o livro "Mulheres Fluminenses", Benedita "organizava campanhas, festas, quermesses e bingos, destinando o dinheiro arrecadado à causa do ensino. Doou material, principalmente madeira, emprestou escravos para reformas e construções de salas de aula. Buscou apoio, cobrou soluções de autoridades locais e da Província. Hospedou, alimentou e até pagou os salários de professores".
Resende carecia muito de médicos, e há registros de que Benedita ajudava financeiramente muitos do que iam se formar como médicos e advogados no Rio, e em São Paulo. Há também casos de seminaristas irem com sua ajuda para Ouro Preto, Diamantina, Mariana e outros seminários de Minas. Quando retornavam, eram recebidos com festas no palacete. Benedita criou uma banda de música formada por seus escravos, que ficou muito famosa, ela exigia que os componentes de sua banda aprendessem música e lessem partituras - e não apenas tocassem de ouvido, como acontecia nas outras bandas. Os ensaios, geralmente realizados na Fazenda da Serra, eram feitos com instrumentos trazidos da Europa e uniformes feitos no Rio de Janeiro, ao estilo das fardas usadas pelas milícias, com polainas e quepes. Sua banda passou a ser presença obrigatória nas festas realizadas por ela no seu sobrado, em suas fazendas e, também, nas celebrações religiosas e cívicas. Benedita ajudou ainda, subscrevendo ações, à construção do Teatro Santa Rita, no largo da igreja da Matriz, em 1876. Com a inauguração da estrada de ferro D. Pedro II, ligando Resende ao Rio de Janeiro e depois a São Paulo, a vida cultural da cidade ganhou muito, movimentando o teatro, pois as companhias artísticas não precisavam mais fazer lentas e penosas viagens de carroça. O Santa Rita foi usado também para uma iniciativa comum na época, que eram os espetáculos filantrópicos para acudir epidemias ou obras sociais. Durante muito tempo Maria Benedita esteve à frente dessas empreitadas. O Santa Rita foi demolido em 1880, construindo-se em seu lugar o Cine Teatro Central, demolido já no século XX, na década de 60. Maria Benedita faleceu em 1881, e foi sem dúvida uma das mulheres mais empreendedoras na região do Vale do Paraíba, chegando a ser conhecida pela alcunha de “a Rainha do Café”.

Um comentário:

Anônimo disse...

O pai de Maria benedita chamava-se Manoel Gonçalves da Rocha.