Fazenda Rialto - Bananal SP


Em 1778, a sesmaria da Arribada foi concedida a Antônio de Araújo Ferraz, que a vendeu em 1784 a Francisco Gonçalves Pena. Dez anos mais tarde, a propriedade foi adquirida pelo seu sobrinho, o Guarda-Mor Joaquim Ferreira Pena. Com a morte do guarda-mor em 1848, a propriedade foi herdada por sua esposa, Ignácia Gonçalves Pena. Em 1856, o inventário da Fazenda da Arribada (seu nome primitivo) apresenta a propriedade como uma grande produtora de café, com 179 escravos e 95.000 pés de café. Curiosamente, a casa sede é descrita como uma casa de vivenda com sótão, coberta de telha, obra velha e seu valor é de apenas 300$000. Pode-se inferir deste inventário, que a casa de vivenda, por ser considerada “obra velha” é provavelmente a primeira edificação construída para acomodar a família do Guarda-Mor. Com a morte de Dona Ignácia, os herdeiros venderam a fazenda ao major Cândido Ribeiro Barbosa, em 1874. É durante o tempo em que a família Ribeiro Barbosa administra a fazenda que uma nova casa sede é construída e seu nome é alterado para Rialto. Também devem ser desse período as pinturas decorativas que adornavam as paredes da sala de jantar, da capela e do vestíbulo, atribuídas ao pintor José Maria Vilaronga. Mais tarde, a fazenda foi herdada pelo seu filho, o Barão Cândido Ribeiro Barbosa, que também foi proprietário das fazendas Cachoeirinha e Coqueiros. Posteriormente a fazenda pertenceu ao Comendador Antonio José Ricóes (1893), Antônio M. Arnaud (1906), Nestor Andrade Nunes (1924), Harold Staff e Frederico Amante Neto. Apesar de tombada em 1987 pelo Condephaat e dos esforços de profissionais da área para que ela fosse conservada e protegida, a fazenda foi demolida em 1996, desaparecendo assim uma das mais requintadas fazendas do Vale do Paraíba. 

Fonte: Evolução construtiva da Fazenda Rialto com ênfase nas argamassas de revestimento. / Elizeu Marcos Franco. São Paulo, 2014. 175p.

6 comentários:

Dousseau disse...

Bom dia!Por essa fazenda também passaram e deixaram marcas os imigrantes franceses.Amei ver essa pintura acima,com uma idéia do que teria sido a primeira sede!Maravilha!Tinha apenas uma pequena foto da fachada da segunda (que está à sua disposição,segundo as disposições do dono,é claro!).Você tem informações sobre até quando teria durado essa aparência da foto acima??
Outra pergunta:você sabe se o bairro Rialto,acho que em Barra Mansa,tem alguma relação com essa fazenda,tipo continuidade na extensão??Até onde ela ia,exatamente e em que direções?
Obrigada!

Nikson Salem disse...

Boa tarde, Dousseau.
Fiz algumas mudanças no texto, pois assim que vou conseguindo novas informações, vou adicionando à postagem.
A aparência desta primeira edificação da fazenda, durou até o fim do ciclo do café, depois, graças à vários proprietários, passou por constantes reformas, que a descaracterizaram totalmente. Em 1997, começou a construção desta nova sede, onde somente o alicerce da antiga foi aproveitado.
Em minhas pesquisas, não encontrei o porque da troca do nome da fazenda, antes conhecida como Fazenda da Arribada.

Há uma versão de que o Distrito de Rialto, em Barra Mansa, foi denominado em 1944 pelos proprietários da fazenda Rialto, em Bananal SP.

Anônimo disse...

Bom Dia, trabalho para o dono da fazenda Rialto, e trabalho na propria Fazenda que está em reforma e onde se localiza o escritório da empresa, gostaria de saber onde de onde você tirou esta imformação, e complementar que a fazenda Rialto pertencia ao mesmo dono do Rialto em Barra Mansa, ele se orgulhava em dizer que era dono do Rialto de cima e o Rialto de Baixo "Frederico Amante"

Dousseau disse...

Obrigada,Nikson!
Tenho muita informação sobre a Rialto no período que compreende o final do século XIX e começo do XX.Entretanto,essas informações jamais serão encontradas no Município de Bananal,e sim no Museu Histórico e Pedagógico Major Novaes,em Cruzeiro.Na época,havia um litígio pela posse da mesma envolvendo o Barão Ribeiro Barbosa,o Banco de Crédito Real e os senhores Fombell e Charles Chaminant,imigrantes franceses.Acaso poderia o senhor Frederico esclarecer alguma coisa à respeito?Acredito que os proprietários posteriores à esses tenham adquirido a fazenda ja penhorada em lotes bem menores que sua dimensão original...Estou à disposição para troca de idéias e informações.
Abraços!

Arthur disse...

Meu caro Dosseau:
Meu nome é Arthur Imperatori e foi de meu pai (Aldo Imperatori) que o Sr. Frederico Amante Neto então proprietário da Tranportadora Volta Redonda adquiriu a Fazenda Rialto na decada de 60. Ele (meu pai) era industrial em Barra do Pirai quando da venda da referida fazenda.
Tive o prazer de passar muitas férias na fazenda e me lembro dos banhos de cachoeira das longas cavalgadas com o "Rosado" e o "Baião" dois cavalos inesqueciveis . Foi por acaso que eu descobri na sala de jantar uma das pinturas a qual vc se refere era uma vista geral da fazenda no seu auge em que se podia ver inclusive o trensinho, uma maravilha,a capela ficava bem na frente da porta de entrada e era abitada por milhões de morcegos, naquele onde eram os patios de secagem foram feitas hortas e havia ainda um decedente de escravos. que morava lá.No porão da sede foram encontrados "ferros de contenção" leia-se algemas presas as paredes depois meu pai mandou aterrar para fazer o ambulatório veterinário. Estas são algumas lembranças que espero ajudem na história desta maravilhosa Fazenda .
De um saudoso amigo
Arthur Baisch Imperatori

Dousseau disse...

Arthur!
Somente hoej tomo conhecimento do seu post. Perdão. Agradeço por compartilhar de suas lembranças. Muito mesmo. Como o assunto "Fazenda Rialto" me interessa muito, peço-lhe a gentileza de, caso tenha outras informações e deseje compartilhar, por ser encontrada no Orkut ou no Facebook como Marly Dousseau Mayrink. Obrigada, mais uma vez! Abraços!